sábado, 7 de fevereiro de 2009

Oração a Dionísio

Esta humilde, fragílima candeia
Trabalhada no ferro e à melhor chama,
Cheia de oliva da mais verde rama
Sinto aquecida por vontade alheia.

Minha língua de fogo, --- alma que te ama, ---
Para a face te ver, se estira e ondeia:
No ígneo fumo --- o meu sonho te volteia,
No áureo azeite --- o meu sangue se derrama.

Com a tua mão, abriga-me do vento
Poupando o azeite fugitivo e oculto
Com que as chamas votivas alimento.

Quando o meu fumo subir, acolhe-o:
E que eu me acenda para honrar teu culto
Até a última gota do meu óleo...


Humberto Campos

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