quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Anestesia


Existem dois tipos de amigos.
O anestesista, que alivia a dor da nossa existência
e o filho da puta, que acaba com o nosso dia,
nos deixa de cama e nos enoja do mundo.
Estão pensando em pessoas? Não, sinto muito lhes desapontar.
Estou falando do álcool e da ressaca.
Amigo de verdade não existe.
É uma ilusão que a gente cria pra não se sentir tão só.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Ela

ela é o som amargo dos trilhos,
 e o tempo é seu pai. 
hoje não mais simples. 
 ontem nada complexo.
 apenas estar entre 3 mundos.
 estar no melhor lugar.
 não importa.
 apenas estar.
 porque ela é a máscara.
 e ela soou.

sábado, 17 de agosto de 2013

Odessa

I shall retrace my steps
To cover up my tracks
To conceal my taste for treason
To detach you from me

Oh, We smother everything in kisses

And the hatred offered by a fathers heart
Will always keep brothers apart

We smother everything in kisses


domingo, 7 de julho de 2013

Demian

"Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim. Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir a si mesmos."


Em Creta


Corria em volta de mim, sem me encontrar.
Estava perdida.
Eu era labirinto.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Hilda Hilst


Se te pertenço, separo-me de mim.
Perco meu passo nos caminhos de terra
E de Dionísio
sigo a carne, a ebriedade.
Se te pertenço perco a luz e o nome
E a nitidez do olhar de todos os começos:
O que me parecia um desenho no eterno
Se te pertenço é um acorde ilusório no silêncio.

E por isso, por perder o mundo
Separo-me de mim. Pelo Absurdo.

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Teu olhar me cega
me tira as roupas
e me arranca de dentro de mim.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Oração a Dionísio

Esta humilde, fragílima candeia
Trabalhada no ferro e à melhor chama,
Cheia de oliva da mais verde rama
Sinto aquecida por vontade alheia.

Minha língua de fogo, --- alma que te ama, ---
Para a face te ver, se estira e ondeia:
No ígneo fumo --- o meu sonho te volteia,
No áureo azeite --- o meu sangue se derrama.

Com a tua mão, abriga-me do vento
Poupando o azeite fugitivo e oculto
Com que as chamas votivas alimento.

Quando o meu fumo subir, acolhe-o:
E que eu me acenda para honrar teu culto
Até a última gota do meu óleo...


Humberto Campos

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